Fazenda analisa mudanças em crédito a motoristas de app
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o Programa Move Brasil, voltado a motoristas de aplicativo e taxistas, pode passar por mudanças para aumentar a adesão. Entre as possibilidades, ampliar a participação de bancos privados.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (19) que o Programa Move Brasil, destinado a motoristas de aplicativo e taxistas, poderá passar por mudanças para ampliar a adesão. Em vigor desde 27 de julho, o programa oferece linhas de crédito com juros reduzidos para compra de veículos de trabalho, incluindo carros novos de até R$ 150 mil, seminovos, motocicletas e bicicletas.
Segundo Durigan, a equipe econômica avalia alterações para aumentar a participação de bancos privados. "Existem alterações que podem ser feitas, não só do ponto de vista legal do programa, mas alterações que podem ser feitas com os bancos, na integração com as plataformas para receber informação sobre a renda das pessoas", disse, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada.
Os bancos públicos, especialmente Banco do Brasil e Caixa, têm apresentado maior participação, enquanto as instituições privadas demonstram menor interesse. "O que a gente tem visto é uma participação maior dos bancos públicos, do Banco do Brasil e da Caixa, com menos apetite por parte dos bancos privados", explicou. Apesar do desempenho abaixo do esperado, o volume de operações é considerado relevante pelo ministro.
A equipe econômica pretende testar possíveis ajustes com os bancos privados e avaliar se as mudanças podem ampliar o volume de financiamentos. Entre as possibilidades, está o aprimoramento da integração com plataformas utilizadas pelos motoristas, facilitando o acesso a informações sobre a renda dos trabalhadores.
No mesmo encontro, o governo fez um balanço de programas de crédito e discutiu medidas relacionadas ao comércio exterior e à resposta brasileira às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Durigan afirmou que a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica não deve prejudicar as negociações com Washington. Na semana passada, o Brasil iniciou processo para avaliar medidas de reciprocidade diante da tarifa de 37,5% aplicada pelos EUA a produtos brasileiros.
O processo, aberto com base na Lei 15.122/2025, não significa aplicação imediata de novas tarifas. Nesta etapa, o Brasil realizará consultas diplomáticas. "Não vai atrapalhar, pode ajudar, até porque nós vamos fazer um processo de reciprocidade com cautela, ouvindo os setores afetados", disse Durigan. O governo também avalia a extensão do regime de drawback, que reduz tributos sobre insumos para exportação, dentro do programa Brasil Soberano.