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Diferença salarial entre sexos em ONGs: dados 2024

ResumoOrganizações não governamentais (ONGs) apresentaram em 2024 diferença salarial entre sexos de 12%, inferior à média nacional de 20%. Fatores como transparência salarial, políticas de equidade e maior presença feminina em cargos de liderança explicam o menor hiato. Dados do relatório "Igualdade de Gênero no Terceiro Setor" confirmam a tendência.

Organizações sem fins lucrativos registram diferenças salariais entre homens e mulheres menores que a média nacional. Descubra os dados e fatores por trás dessa realidade.

São Paulo, SP
Felipe Camargo
Felipe Camargo Editor de aluguel e locação · 30 de junho de 2026 · 5 min de leitura
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Diferença salarial entre sexos em entidades sem fim lucrativo: por que ONGs pagam mais igualmente

A desigualdade salarial entre homens e mulheres é um dos problemas estruturais da economia brasileira. Mas existe um segmento onde essa lacuna é notavelmente menor: as organizações sem fins lucrativos. Entender por que ONGs, associações e fundações conseguem reduzir esse gap exige olhar para além dos números e examinar os mecanismos que as diferenciam do setor privado.

O cenário: quanto menor a diferença salarial em ONGs

Pesquisas do terceiro setor brasileiro apontam que entidades sem fins lucrativos registram diferenças salariais entre homens e mulheres significativamente menores que a média nacional. Enquanto a economia geral brasileira apresenta gaps que variam entre 20% e 35% (dependendo da função e nível hierárquico), organizações sem fins lucrativos operam com diferenças que oscilam entre 5% e 15%, conforme dados de levantamentos de remuneração do setor.

Essa redução não é acidental. Resulta de uma combinação de fatores estruturais, culturais e econômicos que distinguem o terceiro setor do mercado privado tradicional.

Por que ONGs têm menor desigualdade salarial

Composição de gênero e seleção profissional

O terceiro setor brasileiro emprega proporcionalmente mais mulheres que o setor privado. Dados de organizações de pesquisa do terceiro setor indicam que mulheres representam entre 55% e 65% da força de trabalho em ONGs, contra aproximadamente 48% no mercado privado geral. Essa presença maior não é superficial: mulheres ocupam uma parcela significativa de posições de coordenação, gestão e liderança em entidades sem fins lucrativos.

Quando mulheres estão distribuídas em todos os níveis hierárquicos, a tendência natural é que diferenças salariais se comprimam. Não há "teto de vidro" invisível mantendo mulheres concentradas em funções de menor remuneração.

Missão social como pressão por equidade

Entidades sem fins lucrativos existem para cumprir uma missão social, ambiental ou cultural, não para maximizar lucros. Essa diferença de propósito cria um ambiente onde políticas de equidade de gênero ganham legitimidade interna com mais facilidade.

Muitas ONGs adotam explicitamente metas de paridade de gênero em folhas de pagamento, programas de desenvolvimento profissional igualitário e revisões periódicas de salários para eliminar vieses. Conselhos administrativos, frequentemente compostos por voluntários com compromisso social, tendem a questionar desigualdades salariais de forma mais rigorosa que conselhos de empresas privadas focadas em retorno financeiro.

Transparência salarial interna

O terceiro setor, especialmente organizações maiores e mais estruturadas, pratica com maior frequência a transparência salarial interna. Quando colaboradores conhecem a estrutura de remuneração e os critérios para progressão, reduz-se o espaço para discriminação velada ou negociações individuais que favoreçam um gênero sobre outro.

Essa transparência funciona como freio à desigualdade: gerentes e diretores sabem que diferenças salariais injustificáveis serão identificadas e questionadas pela equipe.

Menor pressão competitiva e retenção de talentos

Ao contrário de empresas privadas, onde competição por mercado pode levar a cortes salariais seletivos ou bonus desiguais, ONGs enfrentam pressões orçamentárias mais estáveis (ainda que frequentemente apertadas). Essa estabilidade relativa permite que políticas de remuneração sejam pensadas a longo prazo, não como reação a crises.

Além disso, o terceiro setor compete por talentos usando missão social, não apenas salário. Mulheres profissionais, em média, valorizam ambientes com políticas de equidade explícitas e liderança feminina visível. ONGs que oferecem essas condições atraem e retêm talentos femininos com maior facilidade, criando um ciclo virtuoso de diversidade.

O papel da legislação e certificações

Brasil não possui lei federal obrigando transparência salarial ou paridade de gênero. Mas entidades sem fins lucrativos que buscam certificações internacionais (como B Corp ou selos de responsabilidade social) adotam voluntariamente critérios rigorosos de equidade de gênero. Essas certificações funcionam como selo de confiabilidade para doadores e parceiros, criando incentivo econômico indireto para reduzir disparidades salariais.

Limitações: o terceiro setor não é paraíso

É importante não romantizar. Mesmo com gaps menores, diferenças salariais entre gêneros existem em ONGs. Mulheres em posições de coordenação frequentemente ganham menos que homens em funções equivalentes. Setores específicos dentro do terceiro setor (como organizações religiosas) podem manter estruturas hierárquicas rígidas que favorecem homens.

Além disso, salários absolutos no terceiro setor são, em média, 15% a 25% menores que no setor privado. Uma menor diferença percentual entre gêneros pode significar que ambos ganham menos em termos reais.

O que o setor privado pode aprender

A experiência de ONGs demonstra que reduzir desigualdade salarial entre gêneros é viável quando organizações fazem disso uma prioridade. Transparência salarial, diversidade em liderança, revisões periódicas de remuneração e políticas explícitas de equidade funcionam. Empresas privadas que adotam essas práticas não sacrificam competitividade: ao contrário, atraem talentos de melhor qualidade e reduzem custos de rotatividade.

Perguntas Frequentes

Qual é exatamente a diferença salarial entre homens e mulheres em ONGs?

Dados de levantamentos do terceiro setor indicam gaps entre 5% e 15%, significativamente menores que a média nacional de 20% a 35%. A variação depende do setor específico da ONG e da região geográfica.

Por que ONGs têm mais mulheres em cargos de liderança?

A seleção profissional para o terceiro setor atrai desproporcionalmente mulheres com alta qualificação, e políticas de equidade explícitas favorecem promoção igualitária. A missão social também cria ambiente cultural mais receptivo à liderança feminina.

Organizações sem fins lucrativos religiosas também têm menor desigualdade salarial?

Não necessariamente. Entidades religiosas frequentemente mantêm estruturas hierárquicas tradicionais que favorecem homens, especialmente em posições de liderança espiritual. A redução de gaps é mais evidente em ONGs laicas focadas em direitos humanos, educação e desenvolvimento social.

Como uma ONG pode garantir equidade salarial entre gêneros?

Principais medidas incluem: auditoria salarial periódica, transparência interna de remuneração, critérios objetivos para progressão, metas de diversidade em liderança e revisão contínua de vieses em contratação e promoção.

Salários em ONGs são realmente menores que no setor privado?

Sim. Em média, remuneração no terceiro setor é 15% a 25% menor que em empresas privadas equivalentes. A compensação vem de outros fatores: flexibilidade, propósito social, ambiente colaborativo e, frequentemente, benefícios não-monetários.

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