# Tarifaço deve ter efeito limitado na balança comercial brasileira

> O tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros deve ter efeito limitado na balança comercial do Brasil. Medidas protecionistas americanas afetam apenas 18% das exportações nacionais para o mercado americano, com impactos concentrados em setores como máquinas, aço e calçados. Especialistas apontam que a maior parte das vendas brasileiras aos EUA permanece fora das tarifas.

*Realtor Brazil · Compra e Venda · 21 de julho de 2026 · Carlos Henrique Maia*

O tarifaço imposto pelos EUA sobre produtos brasileiros deve ter efeitos limitados na balança comercial. Setores como máquinas, aço e calçados sentem o impacto, mas as medidas afetam apenas 18% das exportações nacionais para o mercado americano, segundo especialistas.

O tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve provocar efeitos limitados sobre a balança comercial do Brasil, mas setores da indústria sentirão o impacto. As medidas do governo Donald Trump afetam apenas 18% das exportações nacionais para o mercado estadunidense, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

Entre os setores mais afetados estão máquinas, aço, alumínio, calçados e automóveis. Essas áreas exportam bastante aos Estados Unidos e têm dificuldades para remanejar mercados, o que gera perda de competitividade.

## Como o tarifaço impacta a balança comercial?

No primeiro semestre de 2026, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o Brasil importou US$ 1,5 bilhão do mercado estadunidense a mais do que exportou. O déficit do Brasil e superávit para os Estados Unidos mantém-se, apesar do encolhimento do comércio bilateral desde o ano passado.

As trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos somaram US$ 36,4 bilhões no primeiro semestre, queda de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado. As exportações brasileiras recuaram 13%, para US$ 17,4 bilhões, enquanto as importações de produtos americanos caíram 12,5%, totalizando US$ 19 bilhões. Com isso, o Brasil encerrou o período com déficit comercial de US$ 1,5 bilhão.

Em junho, as exportações cresceram 3,7%, alcançando US$ 3,47 bilhões, mas o resultado foi sustentado pela alta de 11% nos preços médios. O volume embarcado caiu 6,6%.

## O que dizem os especialistas sobre o tarifaço?

Pesquisadora associada do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas e professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Lia Valls afirma que o tarifaço dificilmente alterará o desempenho agregado da balança comercial brasileira. "Alterar o saldo da balança, em termos macroeconômicos, é pouco provável. O nosso grande mercado realmente é a Ásia, principalmente a China. A participação das exportações para os Estados Unidos caiu para cerca de 9,4%", diz.

Segundo ela, os efeitos devem ser sentidos principalmente por empresas e setores industriais mais dependentes do mercado americano, como máquinas, equipamentos, madeira e calçados.

O presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, também descarta um efeito relevante sobre o superávit comercial. "O superávit comercial brasileiro é derivado exclusivamente das commodities. O tarifaço poupou justamente commodities com as quais o Brasil compete com os Estados Unidos, como soja, suco de laranja e carnes", explica.

Para Castro, o maior prejuízo será para a indústria nacional. "Nós temos um superávit comercial grande, mas um déficit comercial de manufaturados gigantesco. Esse déficit é que preocupa, porque é o setor manufatureiro que gera emprego no Brasil."

## Por que a retaliação é improvável?

O governo federal estuda recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica para responder ao tarifaço americano. Os especialistas, porém, veem poucos benefícios em uma retaliação. Lia Valls avalia que o Brasil não dispõe de capacidade para impor perdas relevantes aos Estados Unidos. "O problema é que a gente não tem capacidade de retaliação contra os Estados Unidos. Se você não consegue causar um dano efetivo ao outro, acaba revertendo contra você", sugere, defendendo levar o caso à Organização Mundial do Comércio.

José Augusto de Castro também considera que uma resposta tarifária tende a ser ineficaz. "Não acredito em retaliação. O comércio internacional é feito de negociações, não de retaliações. O Brasil não tem cacife para retaliar os Estados Unidos. Temos tudo a perder e nada a ganhar", adverte.

## Setores mais e menos afetados pelo tarifaço

As tarifas foram impostas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Embora a alíquota-padrão seja 25%, em 24% dos produtos atingidos chega a 50%, somando-se a tarifas anteriores. Entre os setores mais afetados estão aço, alumínio, automóveis, máquinas, equipamentos, calçados e produtos de madeira. Já aeronaves, componentes aeroespaciais, petróleo, soja, café, carne bovina e suco de laranja ficaram de fora das sobretaxas.

## Perguntas Frequentes

### O tarifaço vai afetar a economia brasileira como um todo?

Segundo especialistas, o efeito deve ser limitado na balança comercial, mas setores industriais específicos sentirão perda de competitividade.

### Quais produtos brasileiros foram mais atingidos?

Os setores mais afetados são aço, alumínio, automóveis, máquinas, equipamentos, calçados e produtos de madeira.

### O Brasil pode retaliar os Estados Unidos?

Especialistas avaliam que o Brasil não tem capacidade de retaliação efetiva e que o melhor caminho é negociar ou recorrer à Organização Mundial do Comércio.

### As tarifas são iguais para todos os produtos?

Não. A alíquota-padrão é 25%, mas em 24% dos produtos chega a 50%, acumulando-se a tarifas anteriores.

### Como o tarifaço afeta o comércio bilateral?

No primeiro semestre de 2026, o comércio bilateral caiu 12,8%, com déficit de US$ 1,5 bilhão para o Brasil.

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Fonte (canonical): https://realtorbrazil.com.br/compra-e-venda/tarifaco-deve-ter-efeito-limitado-balanca-comercial-brasileira/
