Safra de grãos deve alcançar 360,1 milhões de toneladas, estima Conab
A safra de grãos 2025/26 deve atingir 360,1 milhões de toneladas, recorde histórico, segundo estimativa da Conab. O crescimento é puxado pela soja e pelo milho, com áreas recordes e produtividade em alta. Veja os números oficiais e os impactos para produtores e consumidores.
Safra de grãos deve alcançar 360,1 milhões de toneladas, estima Conab
A safra de grãos 2025/26 no Brasil deve alcançar 360,1 milhões de toneladas, novo recorde histórico, segundo a Conab. O crescimento é impulsionado pela soja (167 milhões de toneladas) e pelo milho (122 milhões de toneladas). A área plantada total deve crescer 2,1%, para 81,5 milhões de hectares.
Recorde histórico de produção
A estimativa da Conab para a safra 2025/26 representa um aumento de 8,3% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 332,5 milhões de toneladas. É o maior volume já registrado na série histórica do órgão, iniciada em 1977.
O resultado reflete a combinação de três fatores: expansão da área plantada, ganhos de produtividade e condições climáticas favoráveis na maior parte das regiões produtoras. A área total semeada deve chegar a 81,5 milhões de hectares, 2,1% a mais que na safra passada.
Soja lidera o crescimento
A soja continua como principal cultura do país. A Conab estima produção de 167 milhões de toneladas, alta de 10,4% sobre o ciclo anterior. A área cultivada com a oleaginosa deve crescer 3,2%, para 47,5 milhões de hectares.
O Mato Grosso, maior produtor nacional, deve colher 45 milhões de toneladas sozinho, consolidando sua liderança. Goiás e Bahia também registram expansão significativa de área.
Milho mantém pujança
Para o milho, a Conab projeta 122 milhões de toneladas na safra 2025/26, com destaque para a segunda safra (safrinha), que responde por cerca de 70% do total. A área plantada com milho deve recuar ligeiramente, mas a produtividade esperada é maior, compensando a redução.
O milho é cultivado em três safras no Brasil: verão, safrinha e inverno. A safrinha, plantada após a soja, é a mais representativa e deve atingir 85 milhões de toneladas.
Outras culturas em destaque
Além da soja e do milho, outras culturas contribuem para o recorde:
- Algodão: produção de 8,5 milhões de toneladas de pluma, área recorde de 2,1 milhões de hectares.
- Arroz: 12 milhões de toneladas, com leve crescimento de área no Rio Grande do Sul.
- Feijão: 3,5 milhões de toneladas na soma das três safras, suficiente para abastecimento interno.
- Trigo: 9,5 milhões de toneladas, safra de inverno em expansão no Sul e Centro-Oeste.
Impacto nos preços e no mercado
O recorde de produção tende a pressionar os preços das commodities para baixo, o que é bom para consumidores finais (alimentos, rações) mas desafiador para produtores rurais, que enfrentam custos elevados de insumos.
Segundo analistas, a soja pode ter preço médio de R$ 130 a saca de 60 kg na safra 2025/26, contra R$ 145 na safra anterior. O milho deve girar em torno de R$ 60 a saca, dependendo da demanda interna e externa previsão de preços agrícolas 2026.
Para o produtor, a recomendação é travar margens com vendas antecipadas e hedge. Para o consumidor, a notícia é positiva: alimentos como frango, suínos e ovos, que usam milho e soja na ração, podem ter preços mais estáveis.
Comparação com safras anteriores
| Safra | Produção (milhões t) | Variação | |-------|----------------------|----------| | 2023/24 | 322,5 | - | | 2024/25 | 332,5 | +3,1% | | 2025/26* | 360,1 | +8,3% |
*Estimativa Conab, junho/2026.
O crescimento de 8,3% é o maior desde a safra 2020/21, quando a produção saltou 9,5% puxada pela recuperação pós-seca.
Regiões produtoras: quem mais cresce
O Centro-Oeste segue como locomotiva do agro, com 48% da produção nacional. O Mato Grosso, sozinho, responde por 28% dos grãos do país. O Sul do Brasil, que enfrentou estiagem na safra passada, se recupera com produtividade acima da média.
O Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia) continua em expansão, com área plantada 5% maior, puxada pela soja e algodão.
Logística e escoamento
Com produção recorde, a logística de escoamento volta ao centro do debate. Os portos do Arco Norte (Santana, Itaqui, Santarém) devem movimentar 35% da safra, contra 30% em 2024. As ferrovias Norte-Sul e FICO ampliam capacidade, mas gargalos persistem em rodovias estaduais.
O governo federal anunciou investimentos de R$ 3,2 bilhões em rodovias no MT e PA para a safra 2025/26, mas o setor privado também corre para ampliar armazéns: a capacidade estática de armazenagem deve crescer 4%, para 210 milhões de toneladas investimentos em logística agrícola 2026.
Perguntas Frequentes
A safra de grãos 2025/26 é a maior da história?
Sim. A estimativa de 360,1 milhões de toneladas da Conab é a maior já registrada, superando o recorde anterior de 332,5 milhões de toneladas em 2024/25.
Quais culturas mais crescem na safra 2025/26?
A soja lidera com 167 milhões de toneladas (+10,4%), seguida pelo milho com 122 milhões de toneladas (+6,2%). Algodão e arroz também registram alta.
O recorde de safra vai reduzir o preço dos alimentos?
Tendência de queda nos preços de grãos, o que pode baratear carnes, ovos e derivados. Mas o impacto depende da demanda externa e do câmbio.
Qual a área plantada na safra 2025/26?
A Conab estima 81,5 milhões de hectares, 2,1% a mais que na safra anterior, com destaque para soja (47,5 milhões de hectares) e milho (21 milhões de hectares).
Como a Conab calcula a safra de grãos?
A Conab realiza levantamentos mensais de campo, com visitas a 1.800 municípios, entrevistas com produtores e cooperativas, e cruzamento com dados de clima, área plantada e produtividade histórica.
A safra recorde garante abastecimento interno?
Sim. A produção de grãos é suficiente para atender a demanda doméstica de alimentos, ração animal e biocombustíveis, com excedente exportável de cerca de 180 milhões de toneladas.
Quais os principais riscos para a safra 2025/26?
Clima adverso (geada, seca, excesso de chuva), pragas como ferrugem da soja e cigarrinha do milho, e volatilidade de preços internacionais. A Conab monitora semanalmente as condições das lavouras.