# Reciprocidade não é retaliação nem "olho por olho", diz Alckmin

> O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade não representa retaliação aos Estados Unidos, mas um instrumento para corrigir situações consideradas injustas pelo governo brasileiro. A declaração ocorreu após reunião com empresários, destacando o caráter corretivo da medida, distinto de ações punitivas.

*Realtor Brazil · Compra e Venda · 22 de julho de 2026 · Vanessa Rocha*

O vice-presidente Geraldo Alckmin disse que a Lei da Reciprocidade não deve ser interpretada como retaliação aos Estados Unidos, mas como instrumento para corrigir situação considerada injusta pelo governo brasileiro. A declaração foi feita após reunião com empresários dos setore

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade não deve ser interpretada como uma medida de retaliação aos Estados Unidos, mas como um instrumento para corrigir uma situação considerada injusta pelo governo brasileiro. "A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso", disse Alckmin nesta terça-feira (21).

A declaração ocorreu após reunião com empresários dos setores afetados pelo novo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Nos últimos dias, diversas associações de empresários manifestaram preocupação com eventuais retaliações impostas pelo Brasil. O vice-presidente ressaltou que a Lei de Reciprocidade foi aprovada por unanimidade no Congresso no ano passado, oferecendo instrumentos para uma resposta institucional, caso necessário, respeitando trâmites legais como consultas e audiências públicas.

## Governo estrutura resposta em três eixos

O governo estruturou a resposta à sobretaxa americana em três eixos: apoio financeiro às empresas, diversificação de mercados e diálogo permanente com os setores produtivos para dimensionar os impactos. A medida dos Estados Unidos prevê tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com possibilidade de acréscimo de mais 12,5%, atingindo cerca de 18% das exportações destinadas ao mercado americano, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.

Entre as medidas em estudo está a oferta de crédito por meio do programa Brasil Soberano para capital de giro e investimentos das empresas afetadas. O governo também avalia flexibilizar temporariamente regras do regime de drawback, isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos usados na produção de mercadorias para exportação. A ideia é permitir que exportadores que perderem mercado nos Estados Unidos tenham mais prazo para cumprir compromissos de exportação sem perder benefícios tributários.

"O fato de ser injusta, descabida e indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para primeiro socorrer quem precisa. O governo brasileiro tem que olhar para os seus setores e tomar as medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano, o custo", afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

## Setores mais expostos e busca por novos mercados

Entre os segmentos mais expostos às tarifas estão eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos. Segundo o governo, o mercado estadunidense é o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos, respondendo por cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.

Paralelamente, a ApexBrasil, agência estatal voltada à promoção de exportações brasileiras, intensificará a busca por novos destinos para os produtos do país. Entre os mercados prioritários estão Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático, além do avanço das negociações dos acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), e Mercosul e Singapura.

## Calendário decisivo

O governo trabalha com um calendário considerado decisivo para definir as medidas de resposta. Na próxima sexta-feira, é aguardada uma definição dos Estados Unidos sobre a eventual aplicação cumulativa de mais 12,5% de tarifa sobre os produtos brasileiros decorrente de acusações de trabalho forçado. Já em 29 de julho entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias que já estão em trânsito para o mercado americano.

Até lá, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir as reuniões com representantes dos setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados para consolidar um diagnóstico dos impactos e definir o pacote de apoio. Também está prevista uma missão oficial à Índia para ampliar oportunidades comerciais, especialmente para os fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos.

## Perguntas Frequentes

### O que é a Lei da Reciprocidade?

É uma legislação aprovada por unanimidade no Congresso no ano passado que oferece instrumentos para uma resposta institucional a medidas consideradas injustas, respeitando trâmites legais como consultas e audiências públicas.

### A Lei da Reciprocidade é uma retaliação?

Não, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin. A lei busca corrigir uma situação considerada injusta pelo governo brasileiro, não retaliar os Estados Unidos.

### Quais setores são mais afetados pelo tarifaço?

Os segmentos mais expostos são eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, além de plásticos, veículos, autopeças, borracha e calçados.

### Qual o valor das exportações afetadas?

Cerca de 18% das exportações destinadas ao mercado americano, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.

### O que o governo está fazendo para ajudar os setores?

O governo estrutura resposta em três eixos: apoio financeiro via programa Brasil Soberano, diversificação de mercados e diálogo permanente com os setores produtivos.

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