Exportações aos EUA crescem pela primeira vez após tarifaço de Trump
As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram alta inédita após o tarifaço de Trump. Dados oficiais indicam crescimento de 2,3% em maio, puxado por commodities e manufaturados. O alívio, porém, é parcial: ainda há incertezas sobre novas tarifas.
Exportações aos EUA crescem pela primeira vez após tarifaço de Trump
Pela primeira vez desde a imposição das tarifas de Trump, as exportações brasileiras aos Estados Unidos registraram crescimento mensal. Em maio, o avanço foi de 2,3%, interrompendo uma sequência de quatro meses de queda. O dado, divulgado pelo Ministério da Economia, reflete uma recomposição parcial dos fluxos de aço, alumínio e carnes.
As exportações brasileiras aos EUA cresceram 2,3% em maio, a primeira alta após o tarifaço de Trump. O resultado foi puxado por embarques de aço, alumínio e carne bovina. Dados do Ministério da Economia mostram que o saldo comercial com os EUA voltou a ficar positivo.
O que o tarifaço de Trump mudou no comércio bilateral
O tarifaço de Trump, anunciado em março, impôs alíquotas de 25% sobre aço e alumínio e de 10% sobre uma cesta de produtos brasileiros. Segundo dados oficiais, as exportações caíram 12% em abril, a maior retração mensal desde 2020. A recuperação de maio, portanto, é um sinal de adaptação dos exportadores.
Setores que puxaram a alta
O crescimento de maio foi concentrado em três setores:
- Aço e alumínio: exportações subiram 5,1%, impulsionadas por contratos de longo prazo e estoques pré-tarifa.
- Carne bovina: alta de 4,3%, com frigoríficos redirecionando cargas de outros mercados.
- Produtos químicos: avanço de 3,8%, puxado por resinas e fertilizantes.
A recomposição, no entanto, não é homogênea. Setores como calçados e móveis continuam em queda de dois dígitos.
A reação do governo brasileiro
O governo brasileiro adotou duas frentes. A primeira foi a abertura de consultas na OMC, questionando a legalidade das tarifas. A segunda, a negociação de cotas de exportação com os EUA. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, as conversas técnicas avançaram, mas sem prazo para conclusão.
Impacto no saldo comercial
Apesar da alta de maio, o saldo comercial com os EUA acumula déficit de US$ 1,2 bilhão no ano. Em igual período de 2025, o superávit era de US$ 800 milhões. A virada reflete a queda nas exportações e o aumento das importações de petróleo e gás norte-americanos.
Perspectivas para os próximos meses
A recuperação das exportações depende de três fatores. O primeiro é a manutenção das cotas negociadas, que expiram em setembro. O segundo, a evolução das tarifas sobre aço e alumínio, que podem ser reavaliadas após as eleições de meio de mandato nos EUA. O terceiro, a demanda interna americana, que segue aquecida.
Segundo analistas do setor, a retomada é frágil. Se as tarifas forem mantidas ou ampliadas, as exportações brasileiras podem voltar a cair. O mercado acompanha de perto o próximo relatório do Ministério da Economia, previsto para julho.
Como as empresas estão se adaptando
Exportadores brasileiros diversificaram destinos. Dados do Ministério da Economia mostram que as vendas para a China cresceram 8% em maio, compensando parcialmente as perdas nos EUA. Empresas também renegociaram contratos com compradores americanos, absorvendo parte do custo das tarifas.
O movimento é mais comum em setores com margens mais altas, como aço especial e carne premium. Em segmentos de baixo valor agregado, a saída foi reduzir embarques.
O que esperar do comércio bilateral no longo prazo
O tarifaço de Trump reposicionou o fluxo comercial. As exportações brasileiras aos EUA devem se estabilizar em patamar 15% a 20% inferior ao de 2025, segundo projeções de consultorias. A recuperação total depende de acordo comercial mais amplo, hoje fora da agenda.
Para o exportador brasileiro, o cenário exige planejamento. Quem diversificou mercados e produtos sofreu menos. Quem dependia exclusivamente dos EUA enfrenta retração mais severa.
Perguntas Frequentes
As exportações brasileiras aos EUA cresceram em maio?
Sim, cresceram 2,3% em maio, a primeira alta após o tarifaço de Trump.
Quais setores puxaram o crescimento?
Aço, alumínio e carne bovina foram os principais responsáveis pela alta.
O tarifaço de Trump ainda está valendo?
Sim, as tarifas de 25% sobre aço e alumínio e de 10% sobre outros produtos continuam em vigor.
O Brasil recorreu às tarifas na OMC?
Sim, o governo brasileiro abriu consultas na OMC e negocia cotas de exportação com os EUA.
O saldo comercial com os EUA melhorou?
Não. O saldo acumulado no ano é deficitário em US$ 1,2 bilhão, contra superávit de US$ 800 milhões em 2025.
As exportações devem continuar crescendo?
Depende da manutenção das cotas e da evolução das tarifas. A recuperação é frágil.
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