Brasil e EUA discutirão tarifas no G20 em Milwaukee
Ministro Márcio Elias Rosa confirmou reunião com o representante comercial dos EUA durante o G20, em Milwaukee. As tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros seguem no centro da disputa comercial.
Representantes do governo brasileiro e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, vão se reunir durante o encontro do G20, marcado para os dias 30 de setembro e 1º de outubro em Milwaukee, nos Estados Unidos. A informação foi dada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, nesta segunda-feira (14), após evento no Palácio do Planalto.
O ministro não detalhou a pauta. Disse apenas que as equipes trocam documentos e combinam o encontro. A reunião retoma uma negociação que já teve um primeiro capítulo: em 31 de agosto, Rosa e Greer se reuniram em ambiente virtual para iniciar uma nova etapa de renegociação das tarifas.
O que está em jogo
Em julho, o USTR impôs sobretaxa de 25% sobre vários produtos brasileiros. A lista inclui ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação e outros manufaturados. O órgão justificou a medida alegando que práticas adotadas pelo Brasil oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.
Na sequência, uma sobretaxa adicional de 12,5% foi aplicada sobre mais produtos nacionais. A alegação foi de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A retomada das tratativas foi acertada em telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 21 de agosto. A conversa durou cerca de uma hora e 20 minutos e, segundo o Palácio do Planalto, ocorreu de forma cordial. O diálogo abriu um novo canal entre Brasília e Washington em meio à disputa comercial.
O que observar no crédito
Para quem acompanha o impacto na ponta, a reunião do G20 é um sinal, não uma solução. Tarifas em vigor pressionam o caixa de exportadores e podem reverberar em linhas de crédito e prazos de pagamento ao longo da cadeia. A leitura jurídica do momento pede cautela: acordos comerciais mudam por etapas, e cada etapa tem documento próprio.
A verificação preventiva, aqui, é simples: antes de assinar contrato de exportação com cláusula de reajuste por tarifa, confira se o texto define quem absorve a sobretaxa e em qual prazo. Pendência assim vira processo. contratos de exportação e cláusulas de reajuste
O encontro de Milwaukee deve indicar se a negociação avança ou se o tema volta à prateleira. Até lá, o cenário segue de cautela.