Cobertura previdenciária: só 1 em 5 motociclistas de app é protegido
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Cobertura previdenciária: só 1 em 5 motociclistas de app é protegido

ResumoO Levantamento do IBGE, via Pnad Contínua, revela que apenas 19,4% dos motociclistas de aplicativos no Brasil possuem cobertura previdenciária. A atividade expõe 80,6% dos trabalhadores a riscos sem proteção social, como acidentes e doenças ocupacionais. A baixa adesão à previdência formal destaca a vulnerabilidade estrutural desse grupo no mercado de trabalho digital.

Levantamento do IBGE mostra que apenas 19,4% dos motociclistas de aplicativos têm cobertura previdenciária no Brasil. Dados da Pnad Contínua apontam riscos da atividade.

São Paulo, SP
Adriana Pontes
Adriana Pontes Especialista em imóveis na planta e incorporação · 04 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
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No Brasil, 405 mil pessoas atuam como motociclistas de aplicativos, entre transporte de passageiros e entrega de comida e produtos. Desse contingente, apenas 79 mil têm cobertura previdenciária, o que representa 19,4%, ou seja, um em cada cinco. O dado integra módulo especial da Pnad Contínua sobre trabalho em plataformas digitais, divulgado nesta sexta-feira (4) pelo IBGE.

Para efeito de comparação, entre todas as pessoas ocupadas no setor privado, o índice de cobertura é de 62,4%. Considerando todos os motociclistas do país, plataformizados ou não, o percentual chega a 31%. Contribuir para institutos de previdência garante ao trabalhador aposentadoria, benefício por incapacidade e pensão por morte.

O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, aponta que a pequena parcela de condutores plataformizados protegidos contrasta com o perfil da atividade. "Eles podem estar expostos a acidentes e outros riscos relacionados à ocupação", diz. O levantamento coletou informações em 2025 e é considerado experimental pelo instituto, ou seja, em fase de teste. Em 2023 não houve coleta.

De 2024 para 2025, o número de motociclistas plataformizados cresceu 15,4%. No período de 2022 a 2025, o contingente praticamente dobrou, passando de 211 mil para 405 mil pessoas. Em média, eles receberam R$ 2.221 mensais, valor efetivamente retirado, já descontados gastos como combustível. A jornada semanal foi de 44,9 horas, ante 41,1 horas dos não plataformizados. O rendimento por hora (R$ 11,4) superava em 12,9% o dos demais (R$ 10,1).

Entre os motoristas de aplicativos, eram 905 mil em 2025, alta de 9,8% ante o ano anterior. Em três anos, o incremento foi de 26%, partindo de 718 mil. Apenas um em cada quatro (25,5%) tinha cobertura previdenciária. Considerando todos os motoristas, o índice é de 43,8%. Diferentemente dos motociclistas, os motoristas de app tinham rendimento por hora inferior: R$ 14,4 ante R$ 16 dos não plataformizados. A jornada era de 45,9 horas semanais, contra 40,4 horas. O rendimento mensal ficou em R$ 2.873, valor 2,4% maior que o dos não plataformizados.

A cobertura previdenciária segue desigual entre categorias. Enquanto motociclistas de app têm proteção de 19,4%, motoristas de aplicativo alcançam 25,5%. O IBGE ressalta que a pesquisa é experimental e segue em avaliação.

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